Ovos mexidos, Cabanas e barquinho amarelo.



Ovos mexidos são a minha mais antiga recordação de férias com os meus tios. Se na década de 80, Assafora era para onde íamos frequentemente, 1990 trouxe-nos Cabanas de Tavira. Sou do tempo em que as pessoas não sabiam que no Algarve havia este sítio. Uma aldeia fantasma, era o que parecia, quando regressávamos dos passeios de Monte Gordo à noite.



Mas falava eu dos ovos mexidos. A tia Lena sempre os fez com leite, pela manhã. E depois eram metidos no pão acabado de comprar e embrulhados em papel alumínio para serem guardados na geleira. Depois enfiávamo-nos todos no velho barco amarelo e andávamos por alto mar. Mal chegavámos a uma dessas ilhas desertas que a maré nos cedia, mergulhava directamente no mar durante pelo menos uma hora, até a pele estar toda devidamente engelhada, estendia-me na toalha, comia a sandes de ovo mexido enquanto ouvia as cassetes do tio Luís, no walkman Sony que ele sempre me emprestava, e adormecia.



Acho que não é difícil perceber porque gosto tanto de ovos mexidos, com leite.