Ser cristão pode significar ter de fugir.

Demorei algum tempo a conseguir aplicar isto à minha vida, e ainda é um “work in progress”. Se tantas vezes na vida, enquanto cristãos, crescemos com aquele versículo que nos ensina que devemos ser o sal e a luz no mundo, outras tantas também lemos que não nos devemos conformar, que devemos agir.

O que eu desconhecia, e se calhar nunca tinha estado desperta tanto como nestes últimos anos, é que há alturas na nossa vida em que devemos simplesmente fugir. Ausentarmo-nos. E isto foi particularmente difícil para mim de aplicar. Tantas vezes ficava em momentos, conversas, companhias que me levavam a circunstâncias em que eu própria acabava por pensar e falar coisas que mais tarde me arrependia, porque simplesmente…ficava. Tinha receio de perder alguma coisa, algum momento, parecer pouco cordial, e ia-me deixando estar.

Com o tempo, passei a decidir onde não estar, onde não falar, onde não agir. E o que tenho recolhido é uma imensa sensação de liberdade e obediência. Curiosamente, algumas coisas deixaram de vir até mim precisamente porque eu não estive presente, ou me deixei de colocar numa posição em que os outros já sabem que para esse momento, conversa, acção não podem contar comigo.

Quero, cada vez mais, tornar-me uma especialista em desatar a correr, se assim for preciso! Deus me ajude.

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