Tem mesmo de ser?

É comum a conversa do “tem de ser”. Chegámos a uma era em que nos debatemos por tantos direitos, mas depois resignamo-nos com a maior das inevitabilidades a estas três palavrinhas. Tudo porque “o patrão assim deseja”, porque “todos fazem”, porque “são os tempos modernos”, porque “não temos alternativa”.

Achamos que conquistámos uma grande liberdade em relação ao século passado, mas vivemos determinados pelo que os outros decidem e nos impõem. E não falo de questões essenciais à sobrevivência ou à saúde. Falo de questões e princípios. Parece que os tempos modernos não se compadecem. Pois não, não se compadecem. Mas temos mesmo de nos conformar?

É que esta semana estudava um salmo particularmente difícil (137) sobre o povo de Israel, exilado na Babilónia. Há gerações que só viam guerra e destruição. Questionavam-se se alguma vez veriam de novo a sua terra, e se alguma vez celebrariam o sábado em paz ao redor de uma mesa. Os seus inimigos queriam fazê-los cantar as suas músicas em terra estranha, porque isso era de uma enorme humilhação, e o que é que eles fizeram? Recusaram-se. Pousaram as harpas e recusaram-se a cantar. Podiam ter cantado, encolhido os ombros com um: “teve de ser, fomos obrigados”. Este salmo humilha-me. Trata de não nos conformarmos com tudo o que o mundo nos impõe. Tantas vezes digo que “tem de ser” quando não tem que ser nada. Tem que ser se eu quiser. Se Deus quiser.

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