Sinais dos tempos

Até há muito pouco tempo, a ideia de ficar em casa num dia de folga parecia-me sempre ser um desperdício de tempo (a menos que fosse para dormir, que eu sempre gostei muito de dormir). Quando casámos, perspectivar um dia de descanso sem colocar os pés a caminho de um passeio (e não confundamos com centros comerciais, eu não gosto particularmente da ideia de ir passear para ver montras, nem nunca gostei) era como se o dia fosse um autêntico desperdício.

Quando me tornei mãe, a coisa não mudou: era mesmo necessário sair e fazer alguma coisa, a comprovar que não era a rotina dos dias que nos tomava, mas nós que tomávamos os dias. Com vários filhos pequenos, ir para o parque era uma espécie de manutenção de sanidade mental, também.

Pois eles cresceram, e dou comigo numa conquista que tem já algum tempo, mas que vai ganhando um sabor cada vez maior. É algo tão simples como isto: eles acordam e ficam no quarto até nós acordarmos também (isto só é possível ao sábado ou de férias) e ficamos em casa sem planos de maior. Eles voltam a ler ou descansar depois do almoço e nós descansamos também. O dia todo dentro de portas, assim.

Se dissessem que a Ana Rute a roçar os 40 anos ia amar dias assim, a Ana Rute de 25 atirava-se para o chão a rir.

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