Copo meio cheio.

Há uns meses, o pai tentava relativizar um drama desnecessário de uma filha acerca de visão, dando o exemplo do Joaquim.
“O teu irmão praticamente não vê de um olho, e nunca o ouvi queixar-se”.

Depois, pedia ao Joaquim para tapar o “olho bom” e dizer o que não conseguia ver. Era muito. Enquanto se explicava, o Joaquim dizia:”Não há problema, já estou habituado. Depois, abro o outro e vejo um bocado melhor, até ali. Por mim não faz mal, desde que eu veja bem, está tudo bem”.

( Lembrava-me da quantidade de vezes que se magoou em mais pequenino, ou até da quantidade de vezes que ainda hoje passa por um desastrado apenas, ou até do dia em que descobrimos que andávamos a ver filmes 3D e ele não vê 3D, e se lhe perguntarmos ele continua a garantir que até conseguia ver bem.)

Desde esse dia, recordo muitas vezes esta constante forma de estar do Joaquim, que tanto tem para me ensinar, acerca de como escolho focar-me nas desilusões ou nas bênçãos. Que Deus sempre lhe aumente esta capacidade de viver agradecido com o que Deus lhe dá e faça comigo o mesmo.

(Lembrar-me constantemente que, para o Joaquim, o que conta são os 100% que vê do olho esquerdo, e não os 10% que vê do direito. O copo meio cheio, sempre. )

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