Advento, dia 6.

Sempre que testemunhamos ou experimentamos injustiça, parece que a justiça tarda em chegar. Pedimos a Deus que corrija estas situações, mas nada se emenda assim tão rápido.
Este é um dos desafios mais angustiantes de vivermos num mundo caído. Jesus voltará um dia, mas esse dia ainda não chegou. Porque toda a justiça que experimentamos é incompleta, permanecemos com alguma angústia no entretanto.

Os israelitas sabiam bem o que era estar neste impasse. No livro de Joel vemos acerca de uma longa lista de sofrimentos: rapazes trocados por prostitutas; jovens meninas vendidas por vinho; um povo longe de casa a ser atacado por inimigos. Israel ansiava pelo dia em que tudo iria ficar certo novamente, o dia em que Deus interviria a favor do seu povo e poria fim à sua miséria. Com toda a certeza houve dias em que o povo se perguntou se iria presenciar a justiça de Deus.

Mas no capítulo 3 de Joel, Deus responde: a justiça está a caminho. Um dia, virá como um leão que ruge. Tudo ficará bem novamente. O povo de Deus será restaurado. A vingança será rápida.
Aqui, vemos duas coisas garantidas:

1. A justiça de Deus está a chegar. Em toda a Bíblia vemos essa promessa. Às vezes a espera é longa, mas a promessa é certa porque podemos confiar em quem promete. Como cristãos, damos testemunho da justiça de Deus quando defendemos a justiça no mundo, mas naqueles dias em que o mal parece vencedor e a justiça nos escapa, podemos ter confiança de que este não é o fim da história. Não precisamos tornar-nos cínicos ou desesperados, porque a esperança terá a palavra final.

2. A restauração de Deus é radical. Seria fácil ler Joel como uma história com dois lados: o povo de Deus versus o mundo. Ao longo deste capítulo, Deus condena “as nações” (todo o resto do mundo que não é Israel), e ele promete a sua morte.  Mas se aprofundarmos a história e considerarmos o coração de Deus para com as nações, percebemos que esta não é uma história de “nós contra eles” ou “os bons contra os maus”. Em Isaías 49: 6, Deus diz a Israel: “eu far-te-ei como uma luz para as nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra ”. Por outras palavras, Deus pretende a restauração de Israel, mas também pretende a restauração dos seus inimigos.

Esta verdade é radical, porque significa que a visão de restauração de Deus é muito maior que nós e do que as injustiças que presenciamos ou vivemos. Enquanto Deus promete vingança para o injustiçado, ele deseja restauração para todos.

Deus é justo e é bom. Podemos confiar na sua justiça e viver nessa esperança, mas devemos ampliar a nossa visão para um plano muito mais alargado do que o nosso. O plano de restauração de Deus – as boas novas de Jesus Cristo – é tão abrangente que até inclui os nossos inimigos. Sem dúvida, Deus pretende restaurar-nos. E também pretende restaurar o mundo.

Foi para isso que Jesus veio até nós e temos Natal.

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