Há 14 anos

era internada no hospital para fazer aquilo que se chama de curetagem.

Há 10 dias que eu sabia que o bebé que esperávamos para Fevereiro de 2006, afinal não ia nascer. Nem sequer ia crescer, já que na segunda ecografia, com 11 semanas, não encontrámos lá bebé nenhum. A placenta crescia sozinha, sem vestígios do embrião. De nada adiantava dizerem-me que não existia bebé nenhum, porque eu bem o tinha visto umas semanas antes, no ecrã ecográfico. Na minha cabeça, alberguei um segundo filho durante quase dois meses, e desfazer-me dessa ideia ia para lá da dor física de expulsar restos placentares. Poucos dias depois, partíamos de férias. Uma família de três, com uma pequenina a caminhar tropegamente.

Estávamos muito longe de imaginar – nem mesmo nos nossos melhores sonhos – tudo aquilo que Deus tinha ainda guardado para nós. Também estava longe de perceber o que este episódio me trouxe. Entre outras coisas, uma empatia especial com aquelas mulheres que perdem bebés ou que simplesmente não os conseguem gerar. Nada como experimentar uma ponta de sofrimento para ganhar compaixão.

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