Deslumbramento

Recordo-me de estar a fazer as malas em Portugal e pensar para mim tudo o que não queria ter em mente nesta partida. Para poder sair, reforcei a ideia de que é importante dizer adeus a tudo, com o sentimento de gratidão mas não de perda. Se o sentimento de perda fosse predominante, sair seria uma âncora ao sentimento de saudade, de uma forma que não permitiria viver e descansar. Foi assim que me despedi no aeroporto, com um enorme sentido de gratidão pelos que nos amam e nos permitem sair. O que ficou para trás – casa, lugares, igreja, tudo – continuará no mesmo lugar, à nossa espera, se Deus quiser.
Tenho tentado fazer este exercício de me deter naquilo que de bom tem acontecido nestas semanas e não nas diferenças ou obstáculos. Um dos meus maiores receios era estar numa constante comparação, e isso não é bom. A humidade e calor são chatos, sim. O preço da fruta é escandaloso, se é. Mas estamos aqui, algo que nunca imaginámos ser possível, e isso é milagroso, maravilhoso!
Todos os dias acordar com esta vista, e dizer adeus ao sol em diferentes tons todos os dias, não é coisa banal. Não se pode tornar nunca banal. É sinal que a gratidão se vai. E não quero isso para mim.

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