Alimentação

O maior desafio ao estar na América.

O Mississippi é o estado com maior taxa de obesidade e o segundo com maior pobreza dos Estados Unidos. Estas duas coisas juntas não me espantam, um mês e meio por aqui dá para perceber muita coisa que não se percebe quando vimos apenas de passagem. Comer de forma saudável é caríssimo. A fruta custa mais de o triplo do que em Portugal (maçãs a 4€ o quilo, pêssegos a 5€ o quilo, e a única fruta que escapa a esta especulação é a banana – que custa 1,50€ o quilo. Temos comido imensas bananas, claro está).

Uma alface – que em Portugal custa 0,70€ custa em média 3€ por aqui, as cebolas custam 1,60€ o quilo, e poderíamos continuar. É um disparate. Mas a diferença de preços não se fica nos frescos. Uma garrafa de azeite extra virgem pode passar os 17€, um pacote de manteiga 3€ e os iogurtes mais baratos raramente se conseguem a menos de 0,80€ a unidade. Isto para dizer que estamos a tentar comer mais ou menos como em Portugal, mas assumindo as abismais diferenças.

Voltando a falar de pobreza – obesidade. Os vegetais congelados conseguem ser um pouco mais acessíveis, e tento ir por essa via. Exemplo: uma mistura de brócolos com cenoura, embalagem de 250g custa cerca de 2€. Mas – e é aqui que se percebe o porquê de ser tão apelativo comer mal – uma lasanha já feita e congelada do mesmo tamanho pode custar cerca de 1€. Se em Portugal, comprar comida pré-feita ou já feita é uma solução que se encontra fora do alcance económico da maioria, aqui é precisamente o oposto: fazer comida custa mais dinheiro (e tempo, já agora. A lasanha é só colocar no micro-ondas, os legumes congelados ainda precisam ser cozinhados, de preferência com mais alguma coisa).

Já passei a fase do choque e de estar constantemente a fazer as contas de quanto teria gasto em Portugal pelas mesmas coisas (Pingo Doce, tens o meu amor para todo o sempre! Frutaria das traseiras da nossa casa, já combinámos por aqui que quando chegarmos vamos a correr ter contigo e tomar uma overdose de frutas!), agora estou na fase de me focar no que precisa ser comprado e não descarrilar só porque é mais barato – hábitos saudáveis são preciosos e estamos numa situação temporária. Mas ao fim deste tempo, dá para perceber melhor a relação obesidade – pobreza. Infelizmente, é mesmo assim.

Outro dos desafios aqui é que em qualquer loja a que vamos (todo o tipo de serviços), os preços tabelados são sem impostos (impostos esses que variam consoante o Estado em que estamos). Ou seja, uma pessoa como eu que está habituada a ir colocando os itens no carrinho e fazer as contas por alto de quanto está a gastar, fica numa situação de soma e multiplicação. É uma seca, torna-se escorregadio e ilusório, porque o preço nunca é bem aquele. Eu, que atribuo aos americanos um grande sentido prático e objectivo, não percebo onde é que isto se situa, mas eles acham que está bem assim, e nós entramos no jogo.
Ironicamente, sendo o Mississippi um dos estados mais pobres, não é dos que tem taxas mais baixas. Estranho, não?

Nota: Cresci com aquela ideia – também por ter uma tia que vive na América desde que eu sou pequena – de que na América tudo é mais barato. Isso já era. As excepções a que isto se aplica não têm que ver com bens essenciais, longe disso, e são uma minoria.
Na verdade, o único bem essencial que é mesmo mais barato é a gasolina, não me recordo mesmo de outro.

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