Um lar em Pelahatchie

Cedo percebemos que encontrar casa em Pelahatchie (um lugar a uma hora de Jackson, com cerca de 1400 habitantes, um Dollar General, uma biblioteca de mais ou menos 50m2, e pouco mais) seria praticamente impossível. O meu irmão e família vieram aqui parar quando, no processo de terem de sair da sua primeira casa do Seminário, uma família da igreja conseguiu a casa onde vivem, de um dos filhos, por um preço acessível.

A história de como conseguimos vir para o pé deles tem tanto de extraordinário como a do lago. Em poucos dias, o Kelley (senhorio do meu irmão) decidiu aumentar a propriedade do filho que aqui vive – duas ruas acima, que inclui uma pequena cabana de madeira desabitada há um ano- e que nos disponibilizou para alugar. Pensar que entre fazer o negócio, escritura e nós podermos vir para aqui limpar e tornar este sítio habitável, foram mais ou menos três semanas, ainda me parece impossível, tendo em conta que em Portugal tudo demora tanto tempo a acontecer.

A primeira vez que viemos ver a casa percebemos que a tarefa de a tornar um lar ia ser desafiante, mas não impossível. Basicamente, o senhor que aqui vivia ficou com Alzheimer e teve de sair, deixando para trás a casa como estava. No processo de escritura, as filhas levaram o que queriam e deixaram um sofá e um cadeirão, uma cama, uma escrivaninha, electrodomésticos, e sobretudo muito lixo e sujidade.

Esta é uma pequena casa de madeira, que por fora tem ar de casa, por dentro é uma cabana. A madeira de que é feita tem diferentes relevos e cores, não é tratada – o que a torna áspera ao toque -, algumas das tábuas têm carimbos, o que dá para tentar imaginar o propósito que terão servido antes, outras têm códigos de barras. Tem uma pequena sala com cozinha, cuja área total serão uns 15m2, uma casa de banho que foi a divisão mais complicada de limpar, uma pequena salinha de passagem que usamos para comer e estudar, dois quartos em baixo, uma pequena despensa, e um quarto em cima, que se tornou o nosso porque nenhum dos quartos tem porta.

Entre aproveitar o sofá que cá estava, junto com o cadeirão, trazer uma mesa emprestada da igreja, ir ao Walmart comprar tecidos para cortinas, varões, e todos os utensílios que precisávamos, temos a nossa casa até Dezembro.

E agora, vivemos na Madison Road e os Oliveiras vivem na Oak Drive. Dá para perceber assim o quão perto estamos?

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