Escritório do Tiago, produtividade e novamente o ensino doméstico

Este é o escritório do Tiago, no nosso quarto. Têm sido meses de muita leitura para todos, e bastante estudo.

Tinha ideia de que nestes meses fora teria uma dose extraordinária de criatividade e faria mil e uma coisas para as quais não tenho tempo em Portugal. Estava errada. A adaptação a um novo lugar e a necessidade clara de paragem fizeram com que a produtividade também parasse. Dediquei-me a ler e escrever muita coisa, mas sinto que este tem sido um tempo de contemplação, reavaliação e de meditação. E isso faz-se até no tipo de leituras que se misturam (estreei-me na ficção cristã, coisa a que sempre tive alguma aversão). Sou, também, uma pessoa que produz bem debaixo de alguma pressão. E aqui não tenho nenhuma. Mas este tempo também era necessário para repensar tudo aquilo que Deus me chama a fazer na minha vocação, e portanto não produzir também é necessário para mais tarde produzir.

Ao mesmo tempo, o novo modelo de ensino doméstico que temos, drena grande parte da minha energia. Era algo que queria experimentar assim há muito, e ainda estou a descobrir o ritmo e modelo. À medida que vou conhecendo mais e melhor como se implementa tudo aqui deste lado, chego à conclusão de que não são propriamente as circunstâncias, os apoios, a diversidade de currículos que fazem com que tantas famílias optem por um modelo diferente. É comum em Portugal acreditarmos que não somos capazes de algumas destas coisas “porque não há apoios”, ou porque “não há grupos de encontro como na América” e uma série de outras desculpas que descobrimos para a nossa falta de motivação ou dificuldade em arriscar. Não me interpretem mal, eu continuo a achar que há diferentes tipos de ensino e que a escola pode ser a escolha certa para algumas famílias. Mas a razão porque aqui se escolhe o que se quer tem a ver com a liberdade que cada um sente, acompanhada da ausência de culpa de que os erros que cometemos enquanto pais terão efeitos devastadores e irreparáveis para o futuro dos nossos filhos. Apesar da diversidade de currículos, a esmagadora maioria das famílias não tem grupos de apoio nem faz nada na companhia de outras. A enormidade do espaço faz com que toda a gente more longe de toda a gente, e o facto de esta escolha implicar um salário por casa limite a escolha das actividades extra-curriculares. Portanto, também não é por uma questão de apoios ou companhia. É mesmo porque se quer.

O valor da família está nos antípodas daquilo que vemos pela Europa. Aqui, o risco é a idolatria do lar (e isso também não é fixe) e o risco de cair em hipocrisia, mas não me cabe a mim julgar (até porque não tenho moral para o fazer). Prefiro, antes, recolher para mim tudo o que é bom e positivo, e levar comigo. Coisas boas e que motivem. Sem culpas. Deus ajuda, fortalece e perdoa-nos diariamente.

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