Eu ouvia falar…

Há uma frase de Jó, depois de todas as suas provações tão difíceis, em que ele se vira para Deus e afirma: “Eu conhecia-te de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem”, que se aplica muito bem a toda a nossa vida recente. Apesar de já ter experimentado tantas vezes a providência de Deus em inúmeras dificuldades que tivemos, era comum ouvir aquelas histórias que tinham sido resolvidas com uma resposta completamente sem explicação, em que a frase portuguesa “caída do céu aos trambolhões” assenta que nem uma luva.

Coisas destas têm acontecido connosco frequentemente, em momentos em que vemos as coisas complicarem-se e temos medo, mas também em momentos em que não estamos propriamente preocupados e Deus vem ao encontro, como que dizendo: “Eu estou mesmo aqui e o meu amor também é um amor de pormenores”.

Esta aconteceu esta semana. Tinha ido com as miúdas a uma aula de ginástica na Igreja em Jackson (igreja dos Wallers – Don e Yonnie, que visitámos domingo passado, e que escreverei noutro post), e no caminho para a aula, a Yonnie levou-me a ver os bastidores do armazém da Operation Shoe Box e  das responsáveis.

(agora recuemos um bocadinho, para isto fazer sentido. Recordam-se de ter dito que viajámos para aqui cada um com uma mala de porão e uma mochila? Na verdade, poderíamos ter trazido, cada um, mais um trolley de mão. Mas não trouxemos porque ao pararmos em Nova Iorque à vinda, seria muito complicado cada um de nós conseguir atravessar a cidade com 2 malas e uma mochila, especialmente os miúdos. Então trouxemos só um trolley. O meu irmão foi a Portugal e trouxe mais um, que contamos encher de livros, porque desde que os trolleys obedeçam ao tamanho das companhias aéreas, podemos colocar livros e manuais escolares que tanto pesam nas malas de porão. Mesmo assim, ainda temos direito a mais 4 trolleys, mas não vamos estar a gastar dinheiro agora nesta fase, e é aí que a nossa história continua…)

Cinco minutos depois de estarmos com estas senhoras, sobre que língua se fala em Portugal e onde vivemos, uma delas vai lá dentro, regressa com um trolley e diz: “Por acaso não vos dá jeito uma mala de mão? Deram-nos esta mas não nos faz falta, como vocês vão viajar se calhar é mais útil para vocês.”

Eu fiz um ar de espanto, a olhar para o trolley, a Yonnie toca-me no braço e diz: “Deus cuida sempre de nós, não é verdade?”

Deus cuida de tudo, ao pormenor. E quanto mais descansamos nele, mais o vemos.

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