Como não celebrar o Natal?

Quando comecei a escrever as meditações para a caminhada para o Natal deste ano (disponíveis aqui) o calor ainda abundava no Mississippi e o regresso a Portugal ainda me parecia muito distante. Enquanto escrevia, tentava ter em mente de que quando estas meditações estivessem a ser lidas, já estaríamos de regresso ao nosso lar, mas confesso que isso me foi difícil – a minha cabeça estava longe de voltar.

Durante muito tempo nesta ausência, eu sentia as saudades, sentia o estar longe, mas como dizer isto sem parecer fria? Não sentia mesmo pena de não estar. Recebia fotos de coisas que aconteciam, que me alegravam, mas nada em mim estremecia com pena. Sentia que era naquele calor que eu tinha de permanecer, que era na experiência da solidão e do desconhecido que Deus iria trabalhar em mim. Tive saudades das pessoas, dos lugares, do mar. Mas não tinha saudades da minha casa, embora me tivessem dado tanto jeito todos os utensílios que não tinha lá. As saudades que surgiram em as normais, mas nunca ao ponto de me distrair da beleza dos dias. Hoje vejo que todos estes sentimentos foram plantados por Deus no meu íntimo, para assim trabalhar melhor em mim com propósito, a cada dia. E agradeço-lhe por isso.

A caminhada de regresso a Portugal, vejo hoje, foi feita de uma caminhada de afastamento dele. Tal como o Natal na verdade precisa de ser. Necessitamos estar muito afastados de Deus para termos de nos aproximar. Um dia, o seu filho veio ao mundo, para que eu não estivesse mais perdida. Por causa da sua vinda até mim, hoje tenho esperança e um lar.

Caminhamos para o Natal, lembrando que é no sentido de Belém que precisamos dirigir-nos, tal como fizeram Maria e José. Eles foram e assim nós devemos ir também. Mesmo que esteja desagradável, mesmo que não haja aparentemente lugar para nós como não houve para Maria, mesmo que ninguém repare que algo de extraordinário pode acontecer nos sítios mais humildes.

Com esta ideia presente, regresso a Portugal sabendo que é o sítio certo a que tenho de voltar. Reconhecendo que a minha insignificância é tudo o que Deus precisa para a transformar em glória para o seu Reino. Tudo no seu tempo, apenas e só para o agradar. Não foi isso que o Senhor Jesus fez toda a vida?

Chegar a casa e ter na caixa de correio os postais dos que sabem que, algures neste mês, também receberão um postal dos Cavacos. É bom estar de volta.

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