Bichos

Estávamos há poucos dias no Mississippi, na nossa primeira simpática residência, a ver um episódio de alguma coisa, quando um dos filhos diz: “Eu vi ali alguma coisa a andar”.

Ora por esta altura, estamos numa casa toda ela envidraçada, junto a um lago, onde reina a escuridão e onde a bicharada fazia tal sinfonia que parecia que tinha ali um amplificador. Pois bem, ignorámos o movimento, mas mais tarde mais alguém viu uma coisa a andar.

Este seria o início de uma estadia em que acordar pelo pequeno-almoço poderia significar ter ratos presos a um papel autocolante, num processo que exigia rapidez, porque ver um bicho a contorcer-se e a chiar é coisa que esta gente da cidade dispensa, e portanto impunha-se que alguém fizesse o favor de ir ao lago afogar os roedores. Missões cumpridas com sucesso.

Além destas aventuras (houve um dos ratos que tinha descaramento tal que saltava por cima dos nossos pés, sobrevoava a armadilha e entrava no pequeno buraco junto ao frigorífico), tivemos aranhas felpudas, e outras companhias que só surpreendiam nas primeiras vezes. Ao fim de uns dias, conformámo-nos e tentámos não ser mordidos por alguns desses bichos. Digo que tentámos porque babas e borbulhas tornaram-se a nossa imagem de marca.

Hoje recebi uma mensagem do Mr. Lars: “Absolutely no mice since you left!”. A sério que não andam mais ratos pela casa?