Os dias estão longos

Os dias estão longos. Vamos no 14º dia em isolamento, em Portugal. De repente, estamos todos a experimentar dias de 24h com um ritmo completamente diferente do habitual. Famílias juntas o tempo todo, pais em teletrabalho, crianças a receberem trabalhos da escola online. Entre as mensagens que recebo de amigos e do que leio na internet, “falta de concentração” talvez seja o que mais abunda. Apesar do tempo ganho em casa, porque ninguém tem de se deslocar para lado nenhum, e porque também não há agenda social, a maior parte das pessoas acusa dificuldade em ser produtiva. O que me leva a deduzir que ter dias de 48h, como tantas vezes dizemos que seria o ideal para conseguirmos fazer tudo o que nos propomos, não seriam nunca a solução. Nós somos feitos para produzir, para circular, para concretizar. E isso não tem a ver com horas, tem que ver com ritmos saudáveis. Precisamos de quietude, e precisamos de diversão. Precisamos de estar parados, e precisamos de nos mexer. Precisamos de contenção e precisamos de largueza. Precisamos de um equilíbrio constante.

Por aqui, não somos excepção. Sentimos falta de sair e de espairecer, depois da escola. Sentimos falta dos que amamos e de estar com eles. Sentimos falta de muita coisa mas resta-nos esperar. Confiando em Deus e aproveitando o entretanto para pensar como queremos viver ainda melhor o nosso horário quando tudo isto acabar.