Eu preciso muito de Deus, e tu?

O dia amanheceu com uma das coisas que mais me enche a alma: cartas. Vinha com um selo antigo, como que a confirmar que sabe que eu gosto de coisas antigas. O meu acordar não tinha sido o mais gracioso, em poucos minutos estava em modo general a disparar ordens para colocar tudo a funcionar. Detesto arrumação da casa mas detesto ainda mais o caos, e ontem era segunda-feira. Ao fim de uma hora, descontente comigo própria, a carta na caixa do correio. Não mereço, pensei. Perdão pedido a Deus e reconsideração da minha postura matinal, fiz um reset. “Deus, ajuda-me a ter paciência. Faz-me considerar o que digo e faço”.
A sucessão de acontecimentos do dia foram uma espécie de teste à minha determinação em ser obediente. O teclado do único portátil para trabalhar ficou avariado, perdi trabalho não salvo no pc, a comida quase queimou, fiz uma alergia à máscara da cara, enfim. Uma extraordinária catadupa de acontecimentos e um sentimento de incapacidade crescente. Cheguei ao final do dia aos pedaços, a pensar quem mais no mundo estaria com vontade de fazer um restart ao sistema, mas o mundo disponível para o consultar parecia-me intacto e glamoroso, porque é isso que a internet no traz: retratos parciais e ilusórios.
O dia terminou e fui dormir. Hoje é terça, tenho um teclado suplente para o portátil, ainda não sei o que vamos almoçar, mas sei de uma coisa : Deus é bom e dá-nos dias agrestes para nos lembrarmos que precisamos muito dele. Eu preciso, e tu?