São 30 anos a regressar

Chegámos aqui em 1990. Desse tempo, recordo dias completos na praia, viagens no barco amarelo, ovos mexidos, walkman Sony com Leonard Cohen e Simon and Garfunkel em cassetes gravadas pelo tio Luís, leituras contínuas da biblioteca da tia Lena e muitas sopas de letras e palavras cruzadas. As conchas escolhiam-se vagarosamente e as plantas eram colhidas para recordação. São 30 anos a regressar e a construir novas memórias. Já não temos o barco amarelo, nem o tio Luís, nem outras coisas. Mas temos a casa da tia, as dunas, a ria, as conchas, as plantas que continuo a colher. É o mais próximo que tenho de uma terra onde voltar. Mesmo que entretanto tenha sido invadida por resorts, piscinas e afins. Este é o cantinho onde consigo sempre descansar, e onde observo com o mesmo prazer os detalhes que permanecem inalterados.