Pertencer

Por estes dias, há um ano, fomos à entrevista na Embaixada americana para obtenção do nosso visto de 6 meses. Depois de termos demorado largas horas online a responder a todo o tipo de questões acerca da nossa intenção de ir e regressar, éramos chamados para comparecer e receber resposta acerca disto. As viagens já tinham sido compradas, os vistos pagos e nada disso nos era devolvido caso nos fosse recusada a estadia prolongada. Ensaiamos com os miúdos as respostas em inglês e chegámos, nervosos. As fotografias que tínhamos tirado não serviam e tivemos de tirar novas. Mais nervos. Enquanto esperávamos, assistimos a um pedido de visto de uma senhora idosa ser negado, cheio de lágrimas e pedidos. Os nervos só aumentavam. A nossa entrevista foi tranquila e em cerca de uma hora estava tudo aprovado. O alívio era enorme.

Foi a primeira vez na vida que tive um vislumbre do que poderá ser estrangeiro noutra terra e querer pertencer, ainda que temporariamente, no nosso caso. Os meses seguintes, do lado de lá do Oceano, foram uma continuação deste dia na Embaixada e só aumentaram o meu amor pelos que abraçam outros lugares e tentam ser aceites. 2019 trouxe-me ainda mais amor pelos que chegam a Portugal. Ainda mais amor.