Exultar na monotonia

“Uma criança não faz balançar ritmadamente as pernas por falta de vitalidade, mas por excesso de vitalidade. É porque têm uma abundância de vitalidade, porque têm um espírito intenso e livre, que as crianças gostam das coisas repetidas e imutáveis. Uma criança está sempre a dizer: “Outra vez” ; e a pessoa adulta faz outra vez, até quase cair de morta. Porque os adultos não têm força suficiente para exultarem na monotonia.
Mas talvez Deus tenha força suficiente para exultar na monotonia. É possível que, todas as manhãs, Deus diga ao sol :”Outra vez”; e que todas as noites, diga à lua :”Outra vez”. Pode bem acontecer que não seja por uma necessidade automática que as margaridas são todas iguais; é possível que Deus faça cada uma delas individualmente, mas que nunca se tenha cansado de as fazer. Pode bem ser que Deus tenha o eterno apetite da infância; porque nós pecámos e envelhecemos, mas o nosso Pai é mais jovem do que nós.”

G.K. Chesterton, in” Ortodoxia”

Registos de 11 de Agosto de 2019, onde os dias eram monótonos e muito quentes, mas os seus finais tinham esta beleza.