Alegria

“Os estoicos, quer os antigos, quer os modernos, sentiam-se orgulhosos pelo facto de conseguirem esconder as lágrimas. Mas Cristo nunca escondeu as suas; mostrou-as claramente, no rosto aberto, à luz do dia, diante da cidade à qual pertencia. Mas escondia alguma coisa. Super-homens solenes e diplomatas imperiais mostraram-se orgulhosos do facto de conseguirem conter a ira. Mas Cristo nunca conteve a sua; atirou as mesas e as bancas pelas escadas do templo abaixo, e perguntava às pessoas como esperavam escapar à condenação do inferno. Mas continha alguma coisa. Digo-o com reverência: havia naquela personalidade devastadora algo a que temos de chamar timidez. Havia qualquer coisa que Ele escondia aos homens quando subia à montanha para orar. Havia qualquer coisa que Ele ocultava permanentemente, por meio de silêncios abruptos ou de isolamentos impetuosos. Havia uma coisa que era grandiosa de mais para Deus nos mostrar quando andou sobre a nossa terra; e eu tenho imaginado, de vez em quando, que se tratava da alegria.”

G.K. Chesterton, in” Ortodoxia”