Oh, ondas do Alentejo.

Para mim, a época balnear estava mais do que encerrada. A intensidade do sol e a aglomeração das praias da zona de Lisboa demovem o esforço de me expôr, nunca sabendo muito bem como regresso a casa.

Mas fomos arrastados para a costa alentejana. Não há mar com intensidade como este. A frescura da água melhora qualquer má circulação, e encontro tanto alívio nela que nem sei explicar. A quantidade de ondas divertidas que nos levam a correr e a não ter sequer opção de pensar muito, são qualquer coisa. Nesta diversão de correr para entrar, descansar e nadar entre ondas, vigiar o tempo todo, avançar para a onda que se segue para não levar com a rebentação, pensei na vida e em quanto ela assim: nós pequeninos a arriscar, a tropeçar, a aprender, a rir, a panicar (existe o verbo panicar?), a repensar. Sobretudo naquele instante em que tentamos sair do mar, a corrente nos puxa no sentido contrário e lutamos com todas as forças para sair sem danos de maior (aka cambalhotas, areia por todo o lado). E no fim percebemos que fomos ajudados além do nosso esforço e que temos mais graça do que merecemos. Sentimo-nos cuidados, queremos voltar a entrar no mar e o jogo continua .