Regresso a Outubro de 2004

Se 2004 foi o ano da minha estreia enquanto mãe, Outubro desse ano trouxe a minha estreia no mundo das doenças da maternidade. A nossa primeira bebé tinha 5 meses e, pela primeira vez, febre. Bom, apesar de mãe de primeira viagem, foi coisa que não me deixou preocupada. Sabia que poderiam ser dentes, reflexos de uma vacina, e outras mazelas normais. Ao fim de três dias – e sem mais sintomas – a pediatra disse que era melhor ir ao hospital. E assim foi. Depois de análises mais detalhadas, é-nos informado que uma infecção urinária com aqueles valores exigia um internamento e posterior estudo. Por lá ficámos 5 dias, a aguardar que a febre desse tréguas e na esperança que fosse apenas um episódio ocasional. Mas não. Seguir-se-iam exames frequentes e um diagnóstico de refluxo vesicoureteral bilateral grau IV que nos traria constantes idas ao hospital e uma ligação com a febre nada tranquila.

Depois de 6 anos em análises, antibiótico diário, indicação para cirurgia, exames invasivos, foi-nos dada alta de nefrologia. Nesses 6 anos, nasceriam mais filhos e novos desafios em outras especialidades. Não somos pessoas largamente testadas nesta área, apesar de contarmos alguns sustos e eu em particular dominar vocabulário médico, corredores e pisos hospitalares, e me ter habituado a ter sempre uma mala feita. Sim, porque nenhuma mãe quer ter de ficar trancada no hospital e tentar dizer via telefone ao marido quais as roupas que precisa. Isso aconteceu e acabou comigo a ligar a uma amiga que vivia perto do hospital, para me socorrer (ler isto imaginando aquele emoji de alguém a encolher os ombros).

É bom olhar para trás e ver o quanto aconteceu e como crescemos com tudo. Em todo o tempo, Deus foi sempre bom.

Deste internamento em particular, guardo o Salmo 46.

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.
Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem para o seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam.
Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela, jamais será abalada;Deus a ajudará desde antemanhã. Bramam nações, reinos se abalam; Ele faz ouvir a Sua voz,e a terra se dissolve.
O Senhor dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.
Vinde, contemplai as obras do Senhor, que assolações efectuou na terra.
Ele põe termo à guerra até aos confins do Mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo.
Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.
O Senhor dos Exércitos está connosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.