A minha infância, aqui.

Subi e desci estas escadinhas durante todo o ensino primário, várias vezes ao dia (ia a casa almoçar). No alto delas, fica a Escola nº 110 de Lisboa (agora Escola EB1 António Nobre), e foi aqui que nos anos 80, aprendi a ler e a escrever. Recordo-me do primeiro dia de aulas como se fosse hoje. Cheguei uns dias depois do início de Outubro, já a semana ia a meio. Inicialmente, tinha ficado inscrita numa escola junto ao Jardim Zoológico até alguém dizer aos meus pais da existência de vagas nesta escola, um pouco mais perto da nossa casa. Eu, conhecida em todo o lado por Rute, apresentei-me como Ana nesse primeiro dia. “Eu também me chamo Ana, Ana Augusta.” – respondeu a minha professora destes quatro anos que, quando me queria chamar à atenção dizia: “Ó dona Iana!”. Sentei-me na última carteira, até virem a descobrir que precisava de óculos, e não me aborreci muito por ter perdido as vogais. Já sabia juntar algumas letras e ler palavras mais simples.
No primeiro intervalo, deambulei por este enorme pátio, até que uma menina me chamou para jogar à macaca. Foram anos cheios de desafios, com uma professora intolerante a erros ortográficos e que amava pássaros (cada 100% dava direito a um pequeno exemplar de borracha, guardado dentro de uma lata. Coleccionei alguns).

Certa vez, contaram-nos que a nossa escola teriam sido duas. Uma masculina e outra feminina. O muro foi mais tarde derrubado, tendo dado lugar a uma escola mista, tal como a conheci. As carteiras (mesas) eram de madeira escura, com espaço para o tinteiro, e naquela janela do primeiro andar (semi tapada com a árvore) tínhamos sol toda a tarde, coisa que sabia muito bem no Inverno.

As escadinhas são as mesmas usadas para o cenário da série “Conta-me como foi”.