As notas nos boletins de saúde

Há uma parte dos boletins de saúde, dos meus três primeiros filhos, que está cheia de notas. Por causa do internamento da Maria bebé, ganhei o hábito de pedir aos médicos de especialidades, que lá escrevam o importante, sob a desculpa de mais tarde mostrar à pediatra (o verdadeiro motivo é o receio de a memória me falhar). É neste boletim do Joaquim que se lê, com apenas 1 ano de idade, que o estrabismo dele não era “nada”, que ia passar. Quanto à memória desse dia não me falha, nem precisa estar escrita em lado nenhum: fomos considerados pais galinha, por esse médico.

Um ano depois, não satisfeitos com esta avaliação, regressamos a uma outra consulta. E, afinal, o estrabismo do Joaquim trazia-lhe uma perda de visão. As quedas, a trapalhice dele eram mais do que um rapaz destrambolhado.

Com três anos, foi operado, e lá no antigo blogue tenho todos os registos de um processo cheio de altos e baixos, muita esperança, mas que estagnou.

Hoje foi dia de voltar. O Joaquim vê menos de 10% do olho direito, é um amblíope profundo. Para travar a possibilidade de ver ainda menos (e alimentar os 5% de probabilidades de ver 20%), vai usar óculos. Não pode nunca fazer desportos de contacto, nem jogar ténis. As lesões podem ser irreversíveis.

“Joaquim, não vais notar diferença nenhuma a usar óculos, mas vamos só tentar uns meses, pode ser?”

Mais um teste. Mais um processo de confiança em Deus.