O que eu aprendi em 2020

2020 foi um ano de colocar em prática tudo o que me tinha proposto em 2019, no nosso tempo fora de Portugal.

No meu caderno, lêem-se muitas das minhas tentações, pecados e erros frequentes, que conduzem a sentimentos de frustração, culpa e desânimo. Embora saiba que temos pecados que nos são ocultos, também todos nos conhecemos suficientemente bem para analisarmos os padrões de comportamento. Ou pelo menos, assim é comigo, graças ao Espírito Santo.

Pouco depois de chegar, a matar saudades de tudo e de todos, consegui facilmente ver em mim aquele dispositivo pronto de misturar serviço com subserviência, amor ao próximo com desejo de agradar e de ser amada, entre outros.

A pandemia foi aliada nisto. Em vez de ser mergulhada novamente no frenesim habitual, fez-me novamente parar e olhar.

Foi tempo de colocar em prática. Em 2020 Deus ajudou-me a redefinir expectativas, a enterrar esperanças erradas, a desistir do que não é para mim. Aprendi a dizer não, mas sem culpas, a admitir que não sou omnipresente nem auto-suficiente e a viver bem com o facto de não dar conta de tudo o que me chega. 2020 mostrou-me que mais silêncio é igual a mais de ouvir Deus.

2020 trouxe-me a paz de que amar o próximo não é ser amiga de toda a gente, ou chegar a toda a gente, e que isso pode significar perdas, e que é mesmo assim. Trouxe-me a capacidade de ver em quem investir, e em quem não devo insistir. 2020 trouxe-me a vontade de exercitar os meus dons e a escrutinar mais as minhas motivações no processo.

2020 foi um ano de prática. Para 2021, quero mais de Jesus e do seu Espírito constante na minha vida. Não preciso de mais nada. Apenas um coração aberto para o que Deus tem.