Querem falar de comparação?

Olhem estes meus dois bolos. Um tem melhor aspecto que o outro, e poderá até eventualmente saber melhor, porque tem açúcar (e o outro, pobre coitado, não). É fácil olhar e saber qual escolheríamos, consoante os nossos gostos e prioridades. Mas até pode ser o caso de quereres provar os dois (vai acontecer por aqui, mal os comece a partir!).

A comparação é algo natural em nós, e pode servir para análise, balanço, avaliação, mudança. Mas a comparação a que somos mais tentados nas nossas vidas – falo na primeira pessoa – é aquela que não constrói.

Não são poucas as vezes em que amigas me contam de como ficam em baixo quando sentem que não conseguem fazer aquilo a que se propõem. Quando lhes pergunto qual a medida dos objectivos, geralmente é baseada em outras vidas, vidas essas avaliadas pela metade, não por uma partilha honesta e constante. Avaliações e comparações por fotografias, textos parciais, encontros ocasionais, não feitas de vidas que caminham a par e passo. É um jogo injusto e nada construtivo, que pode levar ao sentimento de fracasso, desânimo e auto-comiseração.

Abandonar a comparação é o caminho. Investir na partilha real, que balança as conquistas mas confessa dificuldades. Que num dia comemora um patamar alcançado, mas no outro dia nomeia um pecado. É nisso que acredito. Vidas reais, lado a lado.

Comparação mesmo, só procuro fazer com o Senhor Jesus. Aí sim, fico miserável, mas é com ele que posso contar para me levantar, amparar e sustentar. Com ele, sou o que devo ser.