Confinamento

O Instagram é aquele lugar perverso onde nos podemos convencer de muita coisa que constatamos. Nesta parte das vidas, precisamos mesmo ser cautelosos e usar de discernimento em quem seguir ou a quem silenciar (este último é tão libertador, quando não nos sentimos com coragem de desligar e queremos deixar de ver).

Nisto do confinamento, não há volta a dar. As redes demonstram-nos que o mundo continua, nas suas diferenças, e bem desconfinado. Parece que a Covid, que por aqui tem chegado a amigos e conhecidos, de formas menos ou mais graves, não chega da mesma forma a outras partes do globo. É fácil comparar e sentir que vivemos num período em que tudo se encontra em suspenso em Portugal – e não há fim à vista. Nessas alturas, preciso lembrar dos que sei que se encontram nos hospitais e nos confirmam que estão a fazer escolhas a quem administrar oxigénio, que isto não é tudo acerca de nós e da nossa saúde, mas do bem comum. Preciso recordar que não tendo eu medo, eu não sei de tudo e preciso confiar em quem sabe um pouco mais – a sério que ainda há gente que acha isto tudo uma conspiração e acha que usar máscara é falta de fé? Deus tenha misericórdia.

E em dias de sol, em que caminhamos neste paraíso ao lado de casa, penso que tenho tudo isto. Que é muito mais do que tantos têm ao redor do mundo, e esses coitados (ou abençoados, depende a perspectiva) – não têm Instagram.