Apatia

Vamos em um ano de anormalidade neste nosso mundo. Ok, vislumbrámos alguma normalidade no Verão, mas especialmente estes últimos seis meses têm sido de absoluta contenção e privação. Pelo menos é assim que os sinto, e a fadiga mental e emocional atingem índices que nunca experimentei, sobretudo pela impossibilidade de estarmos com quem queremos, por este sem fim de dias sem perspectiva além do que conhecemos.

Ainda assim, foi também neste ano que me dediquei mais a projectos em que acredito e que me têm sido abertas possibilidades de servir para aquilo que Deus me chama a fazer, dentro e fora de portas. Sou agradecida pelo que tem surgido e pelas capacidades e forças renovadas a cada dia, com tanta imperfeição e fraqueza.

Preocupam-me os mais novos no geral. Preocupa-me esta nova realidade em que se habituaram a não poder ter amigos, em que a partilha deixa de ser feita. Aqui por casa, temos os que ainda querem comunicar à distância e os que nunca se identificaram com esse modelo. Precisaremos todos, quando tudo isto passar (quando vai passar, já agora?) de exercitar o estar, o cuidar, o abraçar, o escutar, o observar. Temos todos muitas saudades, e teremos – grandes e pequenos – de reaprender muita coisa que entretanto ficou adormecida ou até esquecida.