Let me be a woman

Sou admiradora da Elisabeth Elliot. Acho que é impossível passar pela história desta mulher e ficar indiferente. Há uns anos fui atraída para umas palestras que ouvi online e uns podcasts que em tempos tinham sido transmitidos via radio, agora online, chamados de “Gateway to joy”. Se ler livros da Elisabeth Elliot é inspirador, eu acho que ouvi-la é ainda mais.
Este livro, “Let me be a Woman”, é de 1976 e é uma compilação de cartas escritas para a filha que está prestes a casar. É importante ter em vista este contexto para compreender a grande ênfase que é dada ao longo de toda a correspondência: encontramos uma mãe a escrever à sua única filha, querendo encorajá-la a assumir um compromisso para a vida. Casar é bom e é difícil. Ser mulher é diferente de ser homem. E é com estas premissas que as cartas se iniciam, buscando alicerçar todos os argumentos de forma bíblica e sustentada. Isto tudo no meio do auge do movimento feminista dos anos 70, na cultura norte-americana.
Pontos fortes do livro: há uma intenção clara da autora de procurar explicar as diferenças entre a essência feminina e masculina, o propósito do casamento, o sentido da existência, o propósito da Criação, e uma contextualização destas coisas aos olhos da cultura da altura. Este livro pode gerar algumas questões e deve ser lido com uma Bíblia por perto, porque está cheio de referências que sustentam estes argumentos. Como não quero ser spoiler, e quero suscitar a leitura, pessoalmente não daria algumas das ênfases que a Elisabeth deu no alicerçar das suas convicções em relação a estes propósitos, mas de uma forma geral o livro fala a verdade bíblica. E isso pode ser incómodo, claro.

Pontos fracos do livro: As aplicações práticas de alguns princípios. Por esta altura, Elisabeth estava viúva pela segunda vez. Tanto o primeiro casamento, como o segundo, duraram cerca de três anos, tendo um interregno entre os dois de cerca de treze anos. Por isso, creio que alguns dos conselhos dados reflectem uma inexperiência de quem não esteve exposta a um casamento duradouro.
Encorajo a leitura do livro para debate, para questionar, e sobretudo para reflectir. Para abrir a curiosidade, é tudo. Aguardo debates!