Pancadas

No outro dia, prestes a começar mais uma reunião, revelei o meu segredo para me concentrar: tomar notas. Acontece que estas notas, tanto podem ser registos reais do que estamos a falar, como podem ser coisas escrevinhadas aleatoriamente sem sentido nenhum. Lembro-me de fazer isto desde sempre, na escola, num telefonema, na igreja.

Geralmente passo por pessoa muito concentrada, quando sou exactamente o oposto: tenho uma facilidade enorme em me distrair e ficar no meu próprio universo a vaguear – a juntar a isto o facto de ouvir mal, é uma espécie de mistura explosiva, que tanto me prejudica como me é bastante conveniente – é escolher.

Quando, no outro dia, mostrei na reunião as notas reais e as notas falsas que tiro, tive ali um ligeiro momento de arrependimento quando vi o ar surpreso de quem me desconhecia esta mania e nunca tinha feito nada semelhante.

Por acaso não há por aí mais gente sem culpa a gastar caneta e papel, só para conseguir permanecer ligada à realidade? Vá, não me façam ir à procura do nome desta síndrome e confirmem que está tudo bem comigo.