Surdez

A primeira vez que fui confrontada com ficar doente tinha 29 anos, estava grávida do Joaquim. Até então, a minha vida tinha sido poupadíssima, recordo-me de ter ficado doente uma ou duas vezes toda a infância e, estivesse eu esquecida, a minha mãe confirmou: “Nunca estavas doente, nem constipada ficavas”.

Não me posso, ainda assim, queixar. As mazelas que Deus tem trazido têm sido suportadas com a medicina actual. Quando, há um ano, comecei a deixar de ouvir, quis acreditar que era temporário. Um ano depois, e muitos exames feitos, o quadro não tem melhorado, pelo contrário.

Ir deixando de ouvir tem sido um desafio ao meu excesso de produtividade, à minha maneira de estar, e nisso tenho aprendido que vivo um tempo novo e propício a novos enquadramentos. Aprendo a depender mais de Deus e isso é mais do que necessário.