Certezas

Houve um tempo, especialmente quando deixei de trabalhar fora de casa, em que a descrição da minha pessoa me parecia a coisa mais simplória que existia. Não tinha grandes conquistas a assinalar e os meus grandes feitos resumiam-se a conseguir trocar fraldas em menos de um minuto e pouco mais (evitava ao máximo questões porque sempre fui especialista em me justificar a quem não precisava das minhas explicações).

Achava eu que revelava alguma falta de ambição, à medida que me ia sentido confortável em desafios pouco reconhecidos no meio profissional. Talvez me estivesse a contentar com pouco, diziam-me as vozes na minha cabeça. Como se houvesse algo menor em construir um lar, em servir os meus próximos e os que precisam, em aprender e ensinar sem remuneração, em aconselhar com dedicação, em viver arraigada em verdades eternas. Sim, hoje os meus grandes feitos já não passam por trocar fraldas e podem significar outro palavreado mais reconhecido ou socialmente aceitável, mas talvez continuem a parecer pouco para alguns. Só que não existe pouco quando vivemos para a glória de Deus.
E este contentamento, esta certeza ninguém me tira, porque é Deus quem me dá.